Brasil fecha 2025 com recorde de inadimplência e mais de 73 milhões de consumidores negativados



Por Rota Araguaia em 13/01/2026 às 14:01 hs

Brasil fecha 2025 com recorde de inadimplência e mais de 73 milhões de consumidores negativados
Reprodução

Redação

O Brasil encerrou 2025 com um cenário preocupante de inadimplência entre os consumidores. Em dezembro, o número de pessoas com contas em atraso cresceu 10,17% em comparação com o mesmo mês de 2024, segundo o Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas, divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil. O resultado confirma a piora gradual das finanças das famílias ao longo do ano.

Mesmo com o reforço de renda proporcionado pelo 13º salário, tradicionalmente recebido em dezembro, o número de inadimplentes avançou 0,87% em relação a novembro. Ao final do ano, o país somava 73,49 milhões de consumidores negativados, o que representa 44,02% da população adulta brasileira.

O crescimento foi impulsionado principalmente por dívidas com maior tempo de atraso. Débitos com quatro a cinco anos de inadimplência registraram alta de 32,64% na comparação anual, sinalizando dificuldades prolongadas para a reorganização financeira de parte expressiva da população.

Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o fechamento do ano com números recordes acende um alerta máximo para a economia. Segundo ele, o nível de endividamento chegou a um patamar crítico, a ponto de nem mesmo rendas extras conseguirem conter o avanço da inadimplência, o que afeta diretamente o consumo, o varejo e os investimentos no início de 2026.

O perfil dos inadimplentes aponta maior concentração na faixa etária de 30 a 39 anos, que respondeu por 23,38% dos registros em dezembro. A distribuição entre homens e mulheres segue equilibrada. Em média, cada consumidor negativado acumulava R$ 4.832,98 em dívidas e mantinha pendências com cerca de 2,24 empresas.

Os dados mostram ainda que grande parte das dívidas é de baixo valor. Quase 31% dos inadimplentes tinham débitos de até R$ 500, percentual que sobe para 43,82% quando considerados valores de até R$ 1.000, reforçando o peso das despesas básicas no orçamento familiar.

Regionalmente, o Sul liderou o crescimento anual da inadimplência, seguido por Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Apesar disso, o Centro-Oeste concentra o maior percentual de adultos negativados, com cerca de 47% da população com restrições no CPF.

Além do aumento no número de consumidores inadimplentes, o volume total de dívidas em atraso cresceu 17,14% em dezembro de 2025 na comparação anual. O maior avanço foi registrado no setor de Água e Luz, seguido por Bancos, Comunicação e Comércio. Mesmo assim, as instituições financeiras continuam concentrando a maior parte das dívidas no país.

 

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, o recorde histórico de inadimplência tende a encarecer o crédito e restringir o consumo. Segundo ele, o aumento do risco leva bancos a serem mais seletivos, elevando juros e dificultando renegociações, o que pode comprometer a recuperação econômica se não houver políticas de estímulo ao uso responsável do crédito.



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